As Palavras a Ferro e fogo sobre a obra de Rui Chafes

rui chafes

Na Universidade Católica Portuguesa são apresentadas duas obras de Rui Chafes (Lisboa, 1966) concebidas em 2000 para o Jardim Botânico da Universidade do Porto, por ocasião da exposição A Experiência do Lugar, organizada no âmbito do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura. Duas peças distintas compõem Secreta Soberania: uma estrutura gradeada, ora suspensa, ora elevada sobre quatro apoios, pontua e relaciona os espaços exterior e interior com a sua presença solene. Muitas das esculturas de Chafes assemelham-se a máscaras, armaduras e casulos, objetos que constrangem, aprisionam e torturam o corpo, sempre invocado e sempre ausente. Nas obras que aqui se apresentam, a ausência da figura humana é sugerida na evocação de momentos de espera e reencontro.

Os títulos das obras de Rui Chafes remetem frequentemente para um universo pessoal, sublime e lírico, não procurando esclarecer ou definir uma leitura da obra. Para o artista, que tem concebido diversas esculturas para o espaço público em Portugal e no estrangeiro, os espaços expositivos de museus são “como asilos onde chegam as peças muito doentes. (…) Ao passo que, quando estão no exterior, na natureza ou no sítio para onde foram criadas, têm vida própria”.[1]

Obra de Rui Chafes espelha influências germânicas

Rui Chafes estudou Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa entre 1984 e 1989, prosseguindo os seus estudos na Alemanha, na Kunstakademie Düsseldorf [Academia de Arte de Düsseldorf], até 1992. A literatura e a arte germânicas, associadas sobretudo ao período medieval e ao Romantismo, são referências que permeiam a obra do artista. A relação com determinada arte do passado denuncia o seu interesse em detetar aquilo que na criação artística é essencial, imutável, transversal a vários tempos. Este interesse é também revelado na sua eleição de materiais — em que o ferro é privilegiado justamente pela sua imutabilidade —, no caráter depurado das suas peças e nos temas universais que aborda, relacionados com a condição humana e com a nossa relação com a transcendência.

Studentato. Obras da Coleção de Serralves na Academia do Porto integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves que tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.

[1] Alexandra Carita, “Rui Chafes: A Religião do Ferro,” in Atual, n. 2154 Expresso, 8 fevereiro 2014, p.9.

Para mais informações

Fernando  Rodrigues Pereira
Assessoria de Imprensa / Press Officer Telm. 00 351 925409295
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