Especialistas discutiram a “Low Touch Economy” na conferência Momentos Singulares

Educação, saúde, cultura, comunicações. Todas as áreas foram afetadas pela pandemia, a qual obrigou a uma aceleração da Low Touch Economy. Foi precisamente sobre este tema e o impacto nas Pessoas e nas Organizações que se versou a IX conferência «Momentos Singulares – Gerir no século XXI», organizado pela RHmais em parceria com a Universidade Aberta (UAb), que decorreu online na última terça-feira, dia 3 de maio.

A moderação do evento esteve a cargo de José António Porfírio (Dean do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da UAb) e de Paulo Loja (Diretor Comercial e Marketing Estratégico da RHmais) e que contou com especialistas de diversos setores da economia. Todos os oradores concordaram que a pandemia levou a um “empurrão” da adaptação das tecnologias às necessidades de uma sociedade que, de um dia para o outro, se viu “fechada” em casa. Mas defendem que ainda há um caminho a percorrer.

Cláudia Neves, Dean do Departamento de Educação e Ensino a Distância da UAb, referiu que “arranjaram-se muitas soluções e, mal ou bem, a escola continuou a funcionar, mas as famílias e os estudantes não estão em iguais condições no acesso à tecnologia. Um terço dos jovens não tinham condições tecnológicas, mas também não tinham literacia, não sabiam como trabalhar com os canais de comunicação. Ou seja, eram muito bons a pesquisar no YouTube e a fazer vídeos, mas depois mostraram lacunas a trabalhar com programas como o Word ou o PowerPoint. Algo não está bem e precisamos de criar uma mudança na educação do ponto de vista tecnológico”.

Já Rui Guimarães, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho E.P.E, alertou para o facto “de não haver a tentação de passar do analógico para o digital, mas manterem-se os processos”, embora reconheça que, na área da saúde, há muitos avanços a acontecer, nomeadamente na Inteligência Artificial, que podem auxiliar os profissionais de saúde e melhorar, por exemplo, o processo de diagnóstico.

Na pandemia assistiu-se, ainda, a um boom do e-commerce. João Caldas, Founder Outfit Head of Global Outsystems Partnership for Devoteam, não tem dúvidas que a pandemia veio acelerar a Low Touch Economy: “não só o processo digital, mas os processos físicos como a logística, a armazenagem… também foram afetadas nesse sentido. Muitos negócios tiveram que praticar algum tipo de comércio eletrónico, o que transformou a economia e, consequentemente, levou à massificação de tecnologia que já existia, como por exemplo a utilização de robôs nos armazéns… isto é apenas a ponta do icebergue”.

Neste cenário, as telecomunicações tiveram um papel fulcral. “As telecomunicações foram realmente importantes, passamos a fazer teleconsultas, a receber a prescrições por SMS ou email, trabalhamos remotamente. Objetivamente em Portugal, 80% da população tem acesso a elevadas larguras de banda de Internet e temos um ecossistema de smartphones que ultrapassa os 80%, o que significa que estamos bem preparados nesta área. Não estamos preparados para tudo, mas temos competências nesta área e podemos progredir bastante”, apontou António Reis Silva, Diretor de Produtos e Serviços Empresariais da Vodafone, salientando que “o ensino primário deve preparar melhor as crianças para a digitalização”.

A digitalização não foi tão fácil (ou até mesmo possível) de ser aplicada na área da cultura. Pedro Magalhães, Fundador e Diretor-Geral da Europalco, referiu que se assistiu a diferentes situações: “os eventos corporativos foram uns dos mais afetados, tiveram que procurar uma solução que não existia no mercado e que provavelmente levaria 10 anos a acontecer, que foi a virtualização dos eventos. No que diz respeito à música, aconteceu o mesmo fenómeno, com festivais a virtualizarem-se e as pessoas a assistirem a concertos nos seus computadores ou telemóveis. Os setores mais tradicionais como o teatro ou o circo tentaram reinventar-se, mas foi muito difícil”.

A opinião foi unânime entre os oradores: há ainda um caminho a percorrer nas mais diferentes áreas, agora na era pós-Covid, principalmente, no que diz respeito à literacia tecnológica ou à resiliência dos negócios. No entanto, mais do que a tecnologia, as pessoas deverão ser sempre a génese, mas também o verdadeiro foco, de quaisquer mudanças a operar.

Sobre a RHmais

A RHmais – Organização de Recursos Humanos, SA, é uma empresa de amplitude nacional com Sede em Lisboa e fundada em 1987. As suas áreas de atuação são: Soluções de Contact Center, Business Process Outsourcing, Serviços Aeroportuários, Soluções de Recrutamento, Consultoria, Customer Experience e Formação. Para suporte às operações que gere em vários pontos do país, a RHmais dispõe de uma rede de infraestruturas / Contact Centers em Lisboa e Matosinhos. A RHmais foi a primeira empresa portuguesa certificada pela APCER, em 2002, no domínio da Gestão Operacional de Serviços de Assistência a Clientes pela então NP EN ISO 9001.2015. Tem também a Certificação Ambiental, segundo o referencial NP EN ISO 14001:2015, e o âmbito de implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) incidiu nas atividades que são desenvolvidas na Sede, em Lisboa.

Sobre a Universidade Aberta

Fundada em 1988, a Universidade Aberta (UAb) é a única instituição de ensino superior público a distância em Portugal e utiliza nas suas atividades de ensino as mais avançadas metodologias e tecnologias de elearning, disponibilizando em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora e para qualquer idade, formação superior (licenciaturas, mestrados e doutoramentos) e cursos de Aprendizagem ao Longo da Vida.

A UAb já formou mais 32 mil alunos e tornou-se numa instituição europeia de referência, no domínio avançado do elearning e da aprendizagem online, através do reconhecimento do seu Modelo Pedagógico Virtual®. Em 2010, o modelo foi distinguido com o Prémio da EFQUEL – European Foundation for Quality in Elearning e com a certificação da UNIQUe – The Quality Label for the use of ICT in Higher Education (Universities and Institutes). No mesmo ano, foi também qualificada como a instituição de referência para o ensino em regime de elearning em Portugal por um painel internacional de especialistas independentes. No âmbito do esquema europeu de Níveis de Excelência, a European Foundation for Quality Management (EFQM) distinguiu a UAb com o 1.º Nível de Excelência Committed to Excellence (C2E) em 2011. Em 2016, o comprometimento da UAb com a qualidade foi reconhecido pela EFQM que distinguiu a Universidade com 4 Estrelas no 2.º Nível de Excelência Recognized for Excellence (R4E). Em 2017, recebeu a certificação da Norma 27001 pela Associação Portuguesa de Certificação tendo sido reconhecida a segurança da sua plataforma de elearning. A Universidade Aberta foi condecorada como Membro Honorário da Ordem do Mérito pelo Presidente da República em 29 de novembro de 2018.

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