Impacto da pandemia nas empresas nacionais: 62% têm intenções de contratar até final do ano

impacto da pandemia nas empresas
Impacto da pandemia nas empresas: 31% crê que efeitos negativos vão agudizar-se

Após um ano de crise sanitária, no final do mais longo confinamento imposto desde o seu início, a Adecco Portugal sondou 100 empresas portuguesas para tentar perceber o impacto da pandemia nas empresas nacionais, suas atividades e consequências da medidas restritivas adotadas nos recursos humanos.

Para ter uma perceção mais rigorosa do que se alterou neste primeiro trimestre de 2021 na gestão do tecido laboral nas empresas, foram colocadas questões de enquadramento à atividade, que permitissem uma leitura mais fina desta realidade na massa empresarial nacional.

Assim, a Adecco Portugal questionou os players de mercado sobre o impacto geral da crise de Covid-19, e em particular na afetação das Vendas, Rentabilidade, Investimentos e Recursos Humanos em diversos setores de atividade.

Neste contexto, sobre quais as expetativas de recuperação da atividade económica, importa destacar que apenas 5% das empresas considera que a economia vai melhorar muito até final de 2021, e que 31% crê que os impactos negativos vão agudizar-se.

Mas a maioria (54%) das empresas inquiridas acredita que o contexto económico vai melhorar um pouco até ao final do ano, o que perspetiva uma situação positiva na área dos Recursos Humanos. Todavia, deve ter-se em atenção que a maioria das respostas a esta sondagem são dos setores do retalho e indústria, onde houve um menor impacto da pandemia nas empresas, ao contrário de setores ligados ao turismo, como hotelaria e restauração, que outros estudos indicam viverem um clima menos otimista.

59% das empresas com impacto negativo

As medidas de apoio ao emprego libertadas pelo Governo português permitiram à grande maioria das empresas manter os seus postos de trabalho, sendo que 80% não tem intenção de despedir.

A grande ilação que a Adecco Portugal retira desta sondagem é que, não obstante mais de metade das empresas ter tido um impacto negativo ou parcialmente negativo (59%) em virtude da pandemia, os apoios ao emprego libertados pela Governo durante o primeiro trimestre de 2021 permitiram à esmagadora maioria das empresas inquiridas (80%), não ter intenções de despedir colaboradores.

Das que têm intenções de despedir colaboradores, 43% apontam a área fabril, 21% as áreas administrativas e de logística. Das empresas que não irão dispensar colaboradores 61% considera a hipótese de ter que admitir mais funcionários, precisamente na mesma área em que algumas empresas irão despedir (área fabril 47%, Administrativa 28% e logística 19%).

Estes dados permitem refletir sobre o que os empresários perspetivam, relativamente ao impacto da pandemia nas empresas, mas também aproximar os perfis profissionais das necessidades das sociedades comerciais que reagiram perante um evento tão raro como a pandemia. Será que os perfis profissionais pré-pandemia serão os mesmos da pós-pandemia? Esta sondagem indica que não.

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Importa aqui realçar que 50% das empresas sentiram necessidade de realocar recursos durante este período, o que pode explicar esta aparente contradição e que invoca a necessidade de as organizações manterem, conforme os setores de atividade, a necessidade de recursos com formação especializada mais atual, combinados com perfis mais flexíveis e polivalentes.

Tal é, aliás, confirmado pelas maiores dificuldades sentidas na contratação de recursos humanos sentida pelas empresas inquiridas: falta de colaboradores mais especializados (61%) e com skills mais polivalentes (57%).

Indicadores a reter…

  • Para 59% das empresas inquiridas para a sondagem da Adecco sobre o impacto da pandemia nas empresas nacionais, a COVID-19 afetou a sua atividade económica em termos gerais, no 1.º trimestre de 2021, embora a pandemia também tenha sido benéfica para 17% das empresas. Se analisarmos 4 indicadores (vendas, recursos humanos, investimentos e rentabilidade) no mesmo período, constatamos que esse impacto negativo foi maior nas vendas 46% e na sua rentabilidade 45%, tendo a área dos recursos humanos sido a menos afetada.
  • Apenas 5% das empresas inquiridas considera que a economia portuguesa vai melhorar muito até ao final de 2021, enquanto 31% considera que a situação económica vai piorar. Se considerarmos os mesmos 4 indicadores referidos anteriormente (vendas, recursos humanos, investimentos e rentabilidade), verificamos que as vendas (41%) e os investimentos (39%) são as áreas onde o impacto negativo mais se irá fazer sentir até ao final do ano
  • As expetativas das empresas chegarem a uma situação económica idêntica ao período de antes da COVID -19 vai demorar 1 a 2 anos para 43% das empresas inquiridas e mais de 2 anos para 5% da amostra inquirida.
  • Na rentabilidade, o impacto é claramente negativo, pois se algumas empresas viram nesta crise uma oportunidade, cerca de 23% dos inquiridos, a maior parte, que pesam 45%, tiveram um incremento de custos por alterações de processos, manutenção de postos de trabalho ou por impacto dos custos da matéria-prima.
  • A sondagem mostra que também existiu algum impacto na gestão desta pandemia pelo Departamento de Recursos Humanos das empresas, com 37% a demonstrar algum efeito, sendo que grande parte dos problemas ocorreram ao nível das operações.
  • O impacto da pandemia nas empresas nacionais, ao nível das medidas de apoio ao emprego, leva a que 80% das empresas inquiridas não tenham intenção de dispensar trabalhadores em 2021. Das que têm intenções de despedir colaboradores, 43% apontam a área fabril, 21% as áreas administrativas e de logística.
  • Das empresas que não irão dispensar colaboradores 61% considera a hipótese de ter que admitir mais funcionários precisamente na mesma área em que algumas empresas irão despedir (área fabril 47%, Administrativa 28% e logística 19%).
  • Em relação aos recursos humanos, as maiores dificuldades na contratação prendem-se com a falta de colaboradores mais especializados (61%) e com skills mais polivalentes (57%). No que diz respeito à insuficiência de apoios públicos, legislação laboral e encargos sociais elevados a opinião das empresas inquiridas não é tão negativa (IAP 22%,LL 30% e ESSE 33%)

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Nota: Este inquérito foi enviado por email para 100 empresas, tendo-se obtido 71 respostas válidas, num universo de empresas maioritariamente dos setores da Indústria/Manufatura (44%) e Grande Consumo e Retalho (20%), embora todos os outros setores de atividade estejam representados, mas em menor escala: 44% são de média dimensão e 36% são de grande dimensão a que corresponde um volume de negócios de 10 a 50 milhões de euros para 44% das empresas e mais de 50 milhões para 36% das empresas inquiridas, na sua generalidade com mais impacto no mercado nacional.

Informações adicionais para órgãos de comunicação social:

Inês Maia e Silva

967 521 865

[email protected]

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