Os riscos do Visto para Procurar Trabalho | Opinião – Rodrigo Araújo*

Os jornais portugueses destacaram, no início desta semana, uma grande sobrecarga de chamadas no Centro de Contacto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Segundo o órgão, o pico aconteceu no dia 17 de outubro, quando, em apenas 12 horas, foram registradas mais de 29 milhões de ligações.

Isso explica os inúmeros comentários em grupos de brasileiros em redes sociais de que está quase impossível marcar um agendamento no SEF para qualquer tipo de serviço. As pessoas já começam a ficar desesperadas porque não conseguem a renovação automática de suas autorizações de residência, muito menos agendar entrevista no órgão português.

Agora, imagine a situação quando os milhares de imigrantes começarem a chegar a Portugal por conta das facilidades do novo Visto para Procurar Trabalho. A sobrecarga será inevitável.

Mas avalio que, dos males, esse será o menor. Falo isso porque, pior que esperar na fila do SEF, será padecer em uma fila de hospital aguardando por atendimento médico. Portugal continua com uma defasagem preocupante de profissionais de saúde e com o aumento da demanda isso só tem a agravar.

O mesmo acontece nos transportes públicos, que já são considerados ineficientes em muitas cidades. Com o aumento da população, fatalmente haverá colapso nesse setor também, com lotação permanente em ônibus, trens, metros, enfim, todo o sistema de transportes poderá ficar comprometido.

Isso sem falar na área habitacional, que hoje sofre uma escassez de oferta nos principais centros urbanos. A “Via Sacra” de quem busca um imóvel, no mínimo, modesto a um preço justo é de dar dó nos grupos de redes sociais. Está difícil encontrar um imóvel para arrendar e, quando se encontra, o preço é absurdamente abusivo.

Essas são apenas algumas questões que chamam a atenção neste momento de euforia pela chegada do Visto para Procurar Trabalho. Definitivamente, não basta o governo Português abrir as portas do país na tentativa de suprir uma deficiência histórica de mão de obra. Tem que haver investimento por parte das autoridades portuguesas em uma infraestrutura mínima para receber esses milhares de imigrantes que chegarão com a ilusão de uma Europa perfeita e terminarão encontrando dificuldades em tudo, por tudo e para tudo.

Mas o que mais me preocupa é quando essa massa populacional começar a impactar no dia a dia do cidadão português. Quando começarem as disputas por leitos de hospital, arrendamento de imóveis, ou mesmo por um simples lugar para sentar no transporte público. A grita será geral. Infelizmente.

LEMBRETE

A população estrangeira residente legalmente em Portugal já ultrapassa os 800.000 habitantes, sendo os brasileiros a maior comunidade, com mais de 250 mil pessoas.

*Rodrigo Araújo é jornalista brasileiro residente na Figueira da Foz, editor do site OAPRECIADOR.com

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